A hérnia de disco é uma das alterações mais conhecidas da coluna vertebral e pode estar associada à dor lombar, cervical dor ciática, formigamento, dormência e redução da força muscular. Apesar de o diagnóstico frequentemente causar preocupação, atualmente sabemos que muitos pacientes com hérnia de disco lombar apresentam evolução favorável com tratamento conservador, principalmente quando há uma combinação adequada entre fisioterapia, exercício terapêutico, Pilates e treino resistido progressivo.
No Pilates Vila Mada, a abordagem para pacientes com hérnia de disco busca ir além do alívio temporário da dor. O objetivo é identificar os fatores que estão limitando o movimento, recuperar força, mobilidade e confiança e conduzir o paciente progressivamente de volta às suas atividades profissionais, esportivas e cotidianas.
O que é hérnia de disco?
Entre cada vértebra da coluna existe uma estrutura chamada disco intervertebral, responsável por distribuir cargas e permitir que a coluna suporte movimentos como flexão, extensão, rotação e inclinação.
O disco é formado principalmente pelo núcleo pulposo, localizado em sua região central e rico em água e proteoglicanos, e pelo ânulo fibroso, formado por camadas de fibras de colágeno que envolvem e estabilizam o núcleo.
Com o envelhecimento, fatores genéticos, exposição repetida a determinadas cargas e alterações degenerativas naturais, o disco pode apresentar redução do conteúdo hídrico, fissuras no ânulo e modificações na sua estrutura. Quando parte do material discal ultrapassa seus limites habituais, podemos ter uma hérnia de disco.
É importante destacar que alterações na ressonância magnética não significam necessariamente dor. Diversas alterações degenerativas da coluna podem ser encontradas mesmo em indivíduos sem sintomas. Por isso, o diagnóstico deve sempre combinar história clínica, exame físico e, quando necessário, exames de imagem.
Quais são os tipos de hérnia de disco?
A nomenclatura internacional diferencia algumas apresentações principais. O abaulamento discal corresponde a uma alteração mais difusa do contorno do disco e não deve necessariamente ser considerado uma hérnia propriamente dita.
O abaulamento discal corresponde a uma alteração mais difusa do contorno do disco e não deve necessariamente ser considerado uma hérnia propriamente dita.
Na extrusão discal, o material herniado ultrapassa de maneira mais pronunciada o espaço discal, podendo apresentar um fragmento maior do que a região que permanece conectada ao disco.
Já no sequestro discal, o fragmento perde completamente sua continuidade com o disco de origem.
Essa classificação é importante porque também possui relação com a possibilidade de regressão espontânea da hérnia de disco.
A hérnia de disco pode regredir?
Sim. Uma das informações mais importantes para pacientes com diagnóstico de hérnia de disco é que o organismo possui capacidade de promover reabsorção espontânea do material herniado.
Na meta-análise de Zou et al. (2024) publicado na Clinical Spine Surgery, identificou uma taxa global de reabsorção próxima de 70% nos pacientes tratados de maneira conservadora. A probabilidade variou conforme o tipo de alteração: aproximadamente 13% nos abaulamentos; 38% nas protrusões; 67% nas extrusões; 88% nos fragmentos sequestrados.
Dessa forma, uma hérnia aparentemente maior em uma ressonância não significa obrigatoriamente pior prognóstico. Além disso, a melhora da dor e da função pode acontecer antes mesmo da regressão completa observada na ressonância magnética.
Por isso, durante o tratamento da hérnia de disco, é fundamental avaliar o paciente e não apenas sua imagem.
Quais são os sintomas da hérnia de disco lombar?
Os sintomas podem variar consideravelmente entre os pacientes. Algumas pessoas apresentam apenas dor lombar, enquanto outras podem desenvolver sintomas associados à irritação ou compressão de uma raiz nervosa. Nesse caso, podem aparecer: dor irradiada para glúteos ou pernas, conhecida popularmente como dor “ciática”; formigamento; alterações de sensibilidade; sensação de choque ou queimação; redução de força muscular; dificuldade para permanecer sentado, caminhar ou realizar determinadas atividades.
A intensidade dos sintomas também não está diretamente relacionada ao tamanho da hérnia. É possível encontrar hérnias relativamente volumosas em pessoas com poucos sintomas e alterações menores em pacientes com dor importante. Por isso, uma avaliação fisioterapêutica especializada é fundamental para determinar quais estruturas estão envolvidas e quais fatores precisam ser tratados.
Como é realizada a avaliação fisioterapêutica?
No Pilates Vila Mada, a avaliação fisioterapêutica pode incluir análise do histórico do paciente, comportamento dos sintomas ao longo do dia, fatores que aumentam ou aliviam a dor e limitações relacionadas ao trabalho, sono, nível de atividade física.
O exame físico pode incluir avaliação de:
força muscular e miótomos; sensibilidade e dermátomos; reflexos; mobilidade da coluna lombar; mobilidade de quadril; força do tronco e membros inferiores; testes de mecanossensibilidade neural, como o Straight Leg Raise ou teste de Lasègue; tolerância ao agachamento, flexão, extensão, caminhada na ponta e no calcanhar entre outras tarefas.
Questionários como o Oswestry Disability Index, Roland-Morris Disability Questionnaire e escalas de dor podem ser utilizados para acompanhar objetivamente a evolução do tratamento. Além disso, a triagem do Pilates Vila Mada é necessária para rastrear sinais que necessitam investigação médica imediata, como alteração importante ou progressiva de força, alterações urinárias ou intestinais e perda de sensibilidade ou parestesia em sela. Na ausência desses sinais, o tratamento conservador para hérnia de disco é indicado como primeira escolha.
Fisioterapia para hérnia de disco na fase aguda
A fase aguda geralmente apresenta maior irritabilidade dos sintomas. O paciente pode apresentar dificuldade para sentar, levantar, caminhar ou encontrar posições confortáveis. Nesse período, um erro frequente é acreditar que o paciente precisa permanecer completamente em repouso. O repouso prolongado pode reduzir condicionamento físico, aumentar o medo do movimento e dificultar progressivamente o retorno às atividades.
A abordagem no Pilates Vila Mada busca reduzir a irritabilidade sem retirar completamente o movimento. Por meio de educação, orientação sobre posições mais confortáveis, movimentos dentro da tolerância, pequenas caminhadas, exercícios específicos e estratégias para manter o paciente funcional.
Em determinados pacientes, exercícios direcionais podem promover centralização da dor, quando os sintomas deixam a perna e passam a ficar mais próximos da região lombar, assim parametrizando o benefício da intervenção proposta.
O tratamento deve ser individualizado.
Um exercício adequado não é necessariamente aquele que nunca provoca qualquer desconforto, mas sim aquele cuja resposta permanece controlada e não produz piora progressiva da dor irradiada ou dos déficits neurológicos.
Fase subaguda da hérnia de disco
Conforme a irritabilidade diminui, inicia-se uma etapa extremamente importante da reabilitação: recuperar capacidade de movimento. Nessa fase podem ser introduzidos exercícios progressivos para tronco, quadril, membros inferiores, controle motor e resistência muscular.
O paciente começa gradualmente a realizar movimentos anteriormente evitados e a aumentar sua tolerância às atividades. É nessa etapa que o Pilates para hérnia de disco pode ser especialmente interessante.
Os equipamentos do método permitem modificar amplitude, resistência, velocidade e complexidade de cada exercício de acordo com a capacidade individual. No Pilates Vila Mada, a progressão é realizada de forma individualizada, principalmente para pacientes que ainda apresentam receio de movimentar a coluna após uma crise de dor lombar ou ciática.
Pilates para hérnia de disco funciona?
O Pilates pode ajudar pacientes com hérnia de disco, desde que os exercícios sejam selecionados de acordo com os sintomas e com a fase da recuperação. Estudos envolvendo indivíduos com dor lombar demonstram que o Pilates pode contribuir para redução da dor e incapacidade e melhorar controle motor, resistência muscular e função. O método também facilita a progressão entre exercícios relativamente simples e movimentos mais complexos.
Entre os principais benefícios possíveis estão:
Melhora da mobilidade; fortalecimento do tronco e dos membros inferiores; aumento da resistência muscular; melhora da coordenação; aumento da confiança no movimento; redução do medo relacionado à dor e preparação para atividades mais exigentes.
Treino resistido e musculação para hérnia de disco
Outro mito bastante frequente é acreditar que pessoas com hérnia de disco nunca mais poderão realizar musculação. Na maioria dos casos, isso não corresponde às evidências atuais. Quando adequadamente prescrito, o treino resistido para hérnia de disco pode fazer parte da recuperação e do retorno às atividades.
Inicialmente, o paciente pode trabalhar exercícios com cargas relativamente baixas, amplitudes confortáveis e maior controle. Progressivamente, podem ser introduzidos padrões funcionais como agachamentos, avanços, remadas, exercícios para glúteos, puxadas, exercícios para cadeia posterior e treinamento do tronco.
Posteriormente, alguns pacientes podem evoluir para exercícios que envolvem maiores cargas e movimentos semelhantes às suas atividades profissionais ou esportivas. O objetivo é desenvolver capacidade de carga. Uma coluna que nunca é exposta progressivamente ao esforço dificilmente estará preparada para enfrentar as demandas da vida diária.
Fase crônica: recuperar força e independência
Quando os sintomas permanecem por mais tempo, o tratamento não deve ficar restrito a modalidades passivas. Na fase crônica, a prioridade passa a ser recuperar aquilo que o paciente precisa realizar em sua vida. Isso pode incluir caminhar longas distâncias, permanecer sentado no trabalho, carregar objetos, brincar com os filhos, praticar esportes ou voltar à musculação.
Ressonância magnética não deve ser utilizada isoladamente para determinar quanto peso uma pessoa pode levantar ou quais movimentos poderá realizar.
Fisioterapia, Pilates ou musculação para hérnia de disco?
Na realidade, essas abordagens podem ser complementares. A fisioterapia para hérnia de disco atua inicialmente na avaliação, controle dos sintomas, educação e recuperação do movimento. O Pilates para coluna permite desenvolver controle, mobilidade, resistência e confiança de maneira progressiva.
O treino resistido e a musculação ajudam o paciente a desenvolver força suficiente para retornar às atividades com maior autonomia. Pilates Vila Mada: Fisioterapia, Pilates e treinamento funcional para hérnia de disco.
Para pacientes que procuram tratamento para hérnia de disco, o Pilates Vila Mada oferece uma abordagem baseada na combinação entre avaliação fisioterapêutica, exercício terapêutico, Pilates e treinamento funcional. Assim o corpo clínico de multiprofissionais apresentará uma trajetória baseada em evidência de curto médio e longo prazo que beneficie os sintomas e proporcione uma qualidade de vida.
Mais do que simplesmente tratar a dor, o objetivo é recuperar capacidade física e preparar o paciente para retornar com segurança ao trabalho, à academia, ao esporte e às atividades do cotidiano.
Conclusão
A hérnia de disco não deve ser considerada automaticamente uma condição incapacitante ou uma contraindicação permanente ao exercício. Grande parte dos pacientes pode apresentar melhora significativa por meio de tratamento conservador e uma parcela relevante das hérnias pode inclusive sofrer regressão espontânea ao longo dos meses. A fisioterapia possui papel fundamental nesse processo.
Nas fases iniciais, o objetivo é controlar os sintomas e preservar movimento. Posteriormente, Pilates e exercícios terapêuticos ajudam a recuperar mobilidade, controle e resistência. Nas fases mais avançadas, o treino resistido permite aumentar força e capacidade de suportar cargas.
No Pilates Vila Mada, esta progressão é realizada de maneira individualizada, em integração de uma equipe multiprofissional a qual proporciona não apenas melhora da dor, mas retorno progressivo à função e maior independência.
Principais referências científicas
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Patti A et al. Effectiveness of Pilates exercise on low back pain: a systematic review with meta-analysis. Disabil Rehabil. 2024.
Matheus Alves Andrade – Fisioterapeuta do Espaço Integrado de Saúde Vila Madá
Crefito 274309F

